COMO VIVI UM CICLO DE ECLIPSES EM 29 ANOS - DE 1997 A 2026
Olá ,bem vindos a este espaço onde compartilho textos e resultados de pesquisas que realizo dentro da ciência astrológica. Fique a vontade para comentar no final da página .
Neste texto quero trazer informações sobre as temporadas de eclipses ocorridas em determinadas épocas de minha vida, que foram como que marcos iniciáticos de renovação da percepção a respeito de conceitos que eu tinha como estabelecidos como verdades imutáveis e, pior!, conceitos que eu deveria defender com todo o furor do fogo do ímpeto do ego de ter certeza absoluta de que minha percepção é a única que deve ser levada em conta!
Percebam a loucura dessa situação em que estamos imersos, todos nós, seres humanos encarnados neste momento da evolução terrena — não só nossa, mas de todos os reinos existentes na natureza. É realmente esplêndido estar aqui, vivendo este momento e tendo a oportunidade de deixar uma mensagem registrada na rede mundial de conexão humana: a Internet.
Pensar que cada uma das pessoas vivas e com autonomia para escolher e decidir coisas no dia a dia, cada um de nós, tem um desejo, uma vontade e um sonho.
E talvez seja justamente essa percepção da multiplicidade de vontades, experiências e verdades que tenha começado a se apresentar para mim através dos eclipses.
1997 — o primeiro toque
O primeiro marco de desenvolvimento de ideias a respeito da vida surgiu em meados de abril de 1997, cerca de 70 dias após o eclipse solar ocorrido em 08/03/1997, uma Lua Nova em Peixes, eclipsando o Sol aos 18°.
O tema que veio à tona para minha consciência nessa época era justamente ligado à espiritualidade, à realidade da nossa finalidade aqui na Terra e à presença da impermanência essencial de tudo o que existe.
Foi nessa época que tomei conhecimento da filosofia espírita através de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. A partir dessa leitura, algumas fichas foram sacudidas com muita força, mas ainda viriam a cair muito mais tarde. Naquele momento, porém, o primeiro véu da ilusão havia sido retirado.
E, para isso, tive que passar por uma sensibilização através da morte trágica de um ente querido, amigo de infância. Até aquele momento eu não havia prestado atenção às questões metafísicas e existenciais e ainda não seria dessa vez que eu me dedicaria a estudos mais profundos, até porque eu tinha 19 anos e uma filha bebê de 11 meses para me ocupar muitas horas.
Percebam que o tema ligado a Peixes — espírito, sentido da vida, morte, dor, sacrifícios — era justamente o tema que estava em evidência nesse período. E, pessoalmente, eu fui chamada a experimentar a possibilidade de ver a vida sob uma nova perspectiva.
1997 — um mundo também em transição
No plano coletivo, o final da década de 1990 dava sinais de transição de mentalidade. Uma rápida pesquisa sobre aquele período nos traz um panorama geral de intensas turbulências pelo mundo.
A guerra na antiga Iugoslávia havia colocado o Leste Europeu em evidência, com as chamadas “limpezas étnicas” na região e os conflitos que ainda estavam longe de ter encontrado uma solução definitiva. No Oriente Médio, as tensões entre Israel e Palestina continuavam, enquanto Iraque e Irã permaneciam envolvidos em um cenário de grande instabilidade geopolítica.
Ao mesmo tempo, uma grande transformação econômica estava em curso. A crise financeira asiática começaria naquele ano e rapidamente demonstraria como o dinheiro já podia atravessar fronteiras com uma velocidade capaz de produzir efeitos em diferentes partes do planeta. A China ampliava sua participação na economia mundial e se preparava para uma integração ainda maior ao sistema comercial internacional.
Era também a época em que os produtos chineses começavam a ganhar espaço cada vez maior nos mercados, enquanto a China se consolidava rapidamente como uma potência manufatureira e exportadora. A grande explosão que associamos hoje ao “Made in China” viria posteriormente, especialmente após a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, em 2001, mas as bases dessa transformação já estavam sendo construídas naquele período.
E havia ainda o El Niño de 1997–98, um dos episódios mais intensos já registrados até então, que começou a se desenvolver justamente naquele período e provocaria alterações climáticas importantes em diferentes regiões do planeta.
Tudo isso me chama a atenção porque, olhando hoje para trás, parece que muitas das estruturas que conhecemos atualmente estavam começando a nascer naquele momento.
A Internet e as telecomunicações estavam entrando em uma nova fase. A comunicação começava a atravessar as fronteiras geográficas com uma velocidade nunca experimentada anteriormente. O capital financeiro também se movimentava em escala cada vez mais global. A China ampliava sua inserção na economia mundial. E o El Niño demonstrava, através do próprio sistema climático, como um fenômeno ocorrido em uma região do planeta podia produzir consequências muito distantes dali.
Era como se, simultaneamente no plano individual e no coletivo, estivéssemos começando a descobrir que nada existe completamente isolado.
E isso me faz olhar com especial atenção para a configuração astrológica daquele período.
Saturno estava aos 7° de Áries na data do eclipse solar de 1997. Quase três décadas depois, Saturno retornou novamente a Áries, completando seu ciclo zodiacal. Em 2026, estamos, portanto, diante de um fechamento e de uma reabertura de ciclo saturnino que nos permite observar o que aconteceu entre esses dois momentos.
2008 — o segundo chamado
Após esse primeiro toque de “despertar” para algo além da materialidade finita, no ano de 2008 tive nova ativação, em meados de agosto, quando ocorreu o eclipse solar da temporada de 2008, em 1° de agosto.
Dessa vez, o toque foi mais direto e prático em termos de atitude, direcionado para literalmente “pôr os pés no caminho”.
Saí em busca de respostas e iniciei minha peregrinação através de processos terapêuticos.
Se em 1997 a pergunta havia sido algo próximo de “o que existe além daquilo que consigo perceber?”, em 2008 começou uma outra etapa: “o que faço com aquilo que estou começando a perceber?”.
2026 — estamos novamente diante do céu
Estamos hoje, em agosto de 2026, em meio a uma temporada de eclipses no eixo Leão–Aquário.
Em fevereiro ocorreu o eclipse solar anular no eixo Aquário–Leão e, agora, em agosto, tivemos o eclipse solar total em Leão, seguido pelo eclipse lunar de 28 de agosto no eixo Peixes–Virgem.
E é justamente essa combinação que desperta minha curiosidade.
Porque o eixo principal dos eclipses de agosto não é o mesmo eixo do eclipse solar de 1997. Em 1997, o eclipse solar aconteceu no eixo nodal Virgem–Peixes. Em 2026, os nodos estão em processo de transição, enquanto o eclipse lunar de agosto volta a colocar Virgem e Peixes em evidência.
Não estou afirmando que exista uma relação causal entre os eclipses e os acontecimentos históricos. Não é possível determinar que os eclipses tenham provocado os eventos globais registrados.
O que proponho aqui é outra coisa: observar.
Observar os ciclos.
Observar as repetições.
Observar as mudanças.
Observar aquilo que, quase três décadas depois, parece retornar sob uma configuração completamente diferente.
E quando olho para 1997 e 2026, algumas correspondências me chamam muito a atenção.
Urano estava em Aquário em 1997, justamente quando a Internet, as telecomunicações e uma nova forma de conexão humana começavam a se expandir rapidamente. Em 2026, Plutão atravessa Aquário e se aproxima do território ocupado por Urano naquele período.
Em 1997, Júpiter estava aproximadamente aos 10° de Aquário. Em 2026, Júpiter está aproximadamente aos 10° de Leão, no signo oposto, enquanto Plutão percorre Aquário.
É como se aquilo que em 1997 estava começando a se expandir através das redes, da tecnologia, da globalização e de novas formas de organização coletiva estivesse agora entrando em uma fase de profunda transformação.
Em 1997, a humanidade começava a entrar na rede.
Em 2026, a humanidade já vive dentro dela.
E agora essa mesma rede transporta não apenas conhecimento e possibilidades de conexão, mas também guerras, crises financeiras, informações, desinformações, medo, imagens, discursos políticos, inteligência artificial, dinheiro e transformações culturais em uma velocidade que seria difícil imaginar em 1997.
Talvez essa seja uma das imagens que mais me impressionam quando observo esses dois períodos.
De 1997 para 2026
Em 1997, o mundo estava descobrindo a dimensão da interdependência.
A crise financeira asiática mostrou que uma crise monetária localizada podia atravessar fronteiras.
O El Niño mostrou como uma alteração no oceano Pacífico podia modificar padrões climáticos em regiões distantes.
A Internet começava a mostrar que uma mensagem poderia atravessar o planeta em segundos.
A China estava ampliando sua participação na economia mundial.
As guerras e conflitos regionais continuavam produzindo consequências internacionais.
E, ao mesmo tempo, os cientistas já alertavam para a influência humana sobre o clima e os governos negociavam uma resposta internacional, que naquele mesmo ano culminaria no Protocolo de Kyoto.
Em 2026, quase trinta anos depois, vivemos dentro das estruturas que estavam sendo construídas naquela época.
A Internet deixou de ser novidade e tornou-se infraestrutura.
A China deixou de ser apenas uma potência manufatureira emergente e tornou-se uma das grandes potências econômicas, tecnológicas e geopolíticas do planeta.
As redes sociais transformaram a comunicação humana.
A inteligência artificial começa a modificar novamente nossa relação com informação, trabalho, conhecimento e criatividade.
As crises financeiras se propagam por mercados profundamente interconectados.
As mudanças climáticas deixaram de ser apenas uma previsão distante e passaram a fazer parte da experiência cotidiana de populações inteiras.
E os conflitos no Oriente Médio continuam ocupando um lugar central na geopolítica mundial.
Também observo uma transformação profunda na relação dos seres humanos com as antigas autoridades, sejam elas políticas, religiosas ou culturais. Não necessariamente o desaparecimento das religiões, mas uma transformação na maneira como muitas pessoas se relacionam com elas, questionando dogmas, autoridades e verdades anteriormente consideradas imutáveis.
E talvez esteja aí uma das questões mais interessantes desse período: o que acontece quando uma humanidade que passou séculos construindo certezas começa a viver em uma rede na qual diariamente encontra pessoas que pensam, sentem, acreditam e vivem de maneiras completamente diferentes?
O que estou procurando nestes eclipses
É isso que pretendo investigar ao apresentar os dados dos eclipses.
Não quero provar que os eclipses provocam acontecimentos.
Quero observar se existe, dentro da linguagem simbólica da Astrologia, alguma correspondência entre determinadas configurações celestes e os períodos em que grandes transformações pessoais e coletivas se manifestaram.
Porque talvez o mais importante não seja encontrar uma resposta definitiva.
Talvez seja justamente aprender a fazer perguntas melhores.
Em 1997, eu comecei a questionar aquilo que considerava realidade.
Em 2008, comecei a caminhar em busca de respostas.
Em 2026, continuo caminhando — mas agora tenho consciência de que a própria rede na qual registro estas palavras nasceu e se expandiu praticamente ao mesmo tempo em que aquelas primeiras perguntas começaram a surgir em minha vida.
E isso me leva novamente ao princípio de tudo:
cada pessoa viva neste planeta carrega dentro de si uma vontade, um desejo, uma história e um sonho.
Somos bilhões de consciências diferentes vivendo simultaneamente dentro de um mesmo sistema.
Talvez a grande iniciação do nosso tempo seja justamente perceber que, embora sejamos indivíduos, não estamos separados.
O que acontece em um lugar pode atravessar o planeta.
O que uma pessoa pensa pode alcançar milhões.
Uma crise financeira pode atravessar oceanos.
Uma guerra pode reorganizar economias inteiras.
Uma alteração no oceano pode modificar o clima de continentes.
E uma pergunta feita por uma pessoa de 19 anos, depois de uma perda, pode permanecer viva por quase três décadas e finalmente encontrar uma rede mundial através da qual pode ser compartilhada.
É desse lugar que começo esta investigação sobre os eclipses.

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